Campo Grande vira referência nacional em sistema de gestão de medicamentos

O painel apresentado na reunião mostra, por exemplo, informações sobre itens dispensados, pacientes atendidos, estoque, divergências e consumo mensal, permitindo uma visão mais ampla do funcionamento da Assistência Farmacêutica.

Para a farmacêutica da Sesau Rosângela Gomes, que atua há 10 anos na UPA Coronel Antonino e há três décadas é servidora, a mudança também representa um processo de adaptação e aprendizado das equipes.

“Estamos trabalhando em conjunto para organizar e aprimorar o processo. A experiência do dia a dia nos permite identificar pontos de melhoria e contribuir para o aperfeiçoamento do sistema. A equipe está engajada e temos uma perspectiva muito positiva com essa nova ferramenta, que vai trazer mais agilidade e organização para o atendimento.”

Da tecnologia ao atendimento

A proposta do e-SUS AF é substituir gradualmente sistemas anteriores, como o Hórus, e qualificar a gestão da assistência farmacêutica, com maior controle sobre entradas, saídas, estoque e dispensação de medicamentos. O Ministério da Saúde já havia destacado, durante o início da implantação em Campo Grande, que a plataforma integra bases nacionais e foi desenvolvida em modelo colaborativo com participação de estados e municípios.

Para Suetônio Queiroz, gerente de Projetos de Saúde Digital do Ministério da Saúde, a experiência de Campo Grande tem importância justamente por permitir que os desafios encontrados na prática sejam incorporados ao desenvolvimento da ferramenta.

“A ideia é construir soluções de código aberto, que permitam ouvir os municípios e aperfeiçoar continuamente o sistema. Isso melhora a gestão dos estoques, amplia a transparência e reduz o tempo de atendimento ao usuário.”

A experiência também reforça uma estratégia que vem colocando Campo Grande em projetos nacionais de transformação digital do SUS. Em julho, a Capital já havia sido escolhida pelo Ministério da Saúde como o primeiro município de grande porte do país a implantar integralmente o e-SUS Regulação, experiência que também passou a ser compartilhada com outros municípios de Mato Grosso do Sul.

Mais do que a adoção de uma nova plataforma, o caso do e-SUS AF mostra uma combinação de organização de processos, capacitação, acompanhamento em campo e uso dos dados para gestão. É justamente esse modelo que Marcelo Vilela levará ao Conselho Nacional de Saúde.

“Mais do que implantar uma nova tecnologia, Campo Grande está participando da construção de uma ferramenta que poderá beneficiar milhões de brasileiros. A experiência do município ajuda a identificar o que precisa ser aperfeiçoado e contribui para que o sistema avance. É uma construção conjunta, que fortalece o SUS e pode melhorar, na ponta, o atendimento à população.”

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