Com fiscalização permanente, SES desmonta rota de envio e apreende lote milionário de canetas emagrecedoras
Trabalho de fiscalização conjunta que vem sendo realizado continuamente pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) com os Correios, Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e outros parceiros, está desmontando rota de envio ilegal de canetas emagrecedoras por meio de correspondências. Somente nas ações realizadas dos dias 2 a 4 deste mês, foram apreendidas 2.071 unidades de produtos irregulares, entre canetas emagrecedoras, anabolizantes, ampolas e comprimidos anorexígenos à base de lisdexanfetamina oriundos do Paraguai.
Os produtos não possuíam registro na Anvisa e eram comercializados sem a devida documentação fiscal. Os itens estavam ocultos em encomendas, disfarçados em meio a presentes e objetos como bolsas e copos térmicos, camuflados em erva de tereré, frascos de óleo e creme hidratante, além de escondidos em embalagens de alimentos, como sacos de feijão e materiais escolares
A operação conta com a atuação integrada da Vigilância Sanitária Estadual, da Anvisa, da CVPAF-MS (Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras de Mato Grosso do Sul), do CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul) e dos Correios. Os trabalhos intensivos seguirão durante todo o mês.
Nas apreensões, as encomendas foram identificadas por meio de inspeção por raio-X no fluxo postal e retidas pela Gerência de Segurança Empresarial dos Correios, em razão de apresentarem irregularidades sanitárias e condições inadequadas de transporte e armazenamento. Muitos dos medicamentos exigem refrigeração entre 2ºC e 8ºC, o que não foi observado, configurando risco adicional à saúde.
Embalagens sofisticadas passam falsa segurança
A SES reforça que a comercialização e o envio de medicamentos e produtos sujeitos à vigilância sanitária não nacionalizados, sem o devido registro sanitário, autorização ou comprovação de origem configuram grave risco à saúde da população. Sem controle sanitário e sem garantia de procedência, esses itens podem apresentar composição desconhecida, armazenamento inadequado e ausência de critérios mínimos de qualidade e segurança, expondo os consumidores a possíveis danos.
No caso das apreensões, muitos dos produtos utilizam embalagens indicando procedência como Reino Unido e Alemanha, porém não são produzidos nesses locais, explica o fiscal da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Moreira Pirolo. “A ideia é gerar uma sensação de credibilidade, porém se trata de substâncias que não são reconhecidas por agências reguladoras, com a Tirzepatida; e até que ainda estão em fase de testes sem possuir aprovação de uso em nenhum local do mundo, como a Retatrutida, ainda em fase experimental”, detalha.
Diante do risco que se espalha pelo País, a Anvisa iniciou o ano de 2026 intensificando a fiscalização desses produtos. Em MS, força-tarefa foi estabelecida pela Coordenadoria de Vigilância Sanitária por meio do Visa Protege, para desenvolvimento de ação permanente e operações conjuntas com outros órgãos fiscalizadores e de segurança pública, tais como Anvisa, CRF/MS, Polícia Civil, em locais de trânsito de mercadorias como os Correios. A ação se iniciou esta semana, na segunda-feira (2), nos Correios, de forma diária e permanente. Outros locais de trânsito de mercadorias também serão alvos, tais como transportadoras, aeroportos do Estado e rodovias federais e estaduais.





Efeitos adversos
Além disso, há risco de eventos adversos em saúde, como pancreatite aguda, insuficiência renal, perda de massa muscular e efeitos decorrentes de superdosagem, completa Pirolo. “Esse tipo de medicação pode ser utilizada desde que registrada e mediante acompanhamento de endócrino ou nutrólogo e acompanhada de mudança de hábitos de vida como reeducação alimentar e atividades físicas regulares, porque senão tem efeito rebote e o reganho de peso”, alerta.
Além disso, ele destaca que a não averiguação de pré-disposição genética para câncer de tireóide e câncer do sistema endócrino podem levar pessoas com essa condição a desenvolverem a doença após o uso indiscriminado do medicamento.
Danúbia Burema e André Lima, Comunicação SES
Fotos: André Lima


